TITÃS
“Como estão vocês?”
Viagem ao País dos Titãs
Perguntei com letras de fogo. Como estão vocês? Como estamos todos nós? “O
caminho está perdido, resta julgar”, disse Kung Fu Tsu, também chamado por
aqui de Confúcio.
Os Titãs estão aí fazendo barulho mesmo. Desafinando o coro dos contentes e
dos descontentes. A poesia viva é feita diante do povo. Sergio, Charles,
Branco, Tony, Paulo, como se fossem sílabas de uma mesma palavra, ou melhor,
apenas letras. Canções escritas com letras de fogo.
Em todas elas o compromisso com a consciência crítica e o arrebatamento da
embriaguez dionisíaca. Pulsação de um coração intenso como se mil corações
pulsassem em uníssono. A energia cabalística do pentagrama em alta rotação
como um chacra flamejante. Os titãs somos todos nós, podemos ver seus rostos
esparzidos na multidão flutuante se olharmos atentamente, Sim, eles estão aqui
junto conosco. São companheiros de jornada rumo à grande nebulosa.
Estes são os navegantes que conduzirão a cápsula flamejante:
Charles, meticuloso, sóbrio, absolutamente firme em seus princípios. Ao mesmo
tempo afetuoso e gentil, como costumam ser os músicos puros, os instrumentistas
de banda como Tutti, Machado... Ainda por cima profundo devoto da mpb à qual
presta serviço não só como titã, mas também como restaurador de tesouros
musicais. E aí, vai ter batucada e outras milongas mais?
Paulo, esse tem muita estrada. Parece um saltimbanco de Picasso ou um personagem
de conto de fadas. Ele tem essa simplicidade e bom humor que emanam das pessoas
que se elevaram aos planos astrais superiores onde a bondade supera a paixão e
a ignorância. Para mim ele é muito mais astronauta, porque superou a lei da
gravidade através da graça. Obrigado pelo passeio, que sua nave não pare de
voar na direção da luz.
Branco, super paulista. Esse parece que não para de viajar rumo ao seu objetivo
um instante sequer. Tem uma incrível visão de conjunto. Nada lhe passa
despercebido. Tudo isso sem nunca deixar de ser um gentleman. Suas sábias
observações garantem o controle de qualidade do que quer que saia da lavra dos
titãs. A sua voz penetrante como um bisturi inscreve indelevelmente nos ouvidos
o apelo de sua mensagem.
Tony, misterioso e suave. Embora astro da mídia não parece se afetar ou
alterar pela realidade mundana. Demonstra sempre mais interesse em ouvir e
entender, como um médico, do que em fazer-se notar. Ele só incorpora sua
entidade mítica quando está no palco com a sua guitarra. Ele se relaciona com
o seu personagem mais como autor do que como ator. Sua liderança só se deve ao
serviço que presta ao pensamento e aos ideais.
Sergio, traço de união entre o popular e o oculto, conhecedor profundo, por
experiência familiar, da nossa história social e política. Gerador de vida,
ressuscitador de esquecidos. É por causa de gente como Sergio que podemos ter
certeza que a morte nunca vencerá. Os poetas reinventarão a vida, resistirão
ao apelo do não, como Drummond para quem as coisas findas, muito mais que
lindas, essas ficarão. (mas isso é só uma faceta do Sergio).
São quinze canções agora. Três vezes cinco (mais uma vez o número cabalístico).
Elas foram às estrelas e trazem muitas perguntas para nós respondermos. Mas em
todas elas permanece aquela: Como estão vocês?
Rogério Duarte
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